GOLPISTA DO TINDER É CONDENADO A SEIS ANOS DE PRISÃO APÓS ROUBAR MAIS DE R$ 1,5 MILHÃO
Renato Sérgio Leandro, de 57 anos, foi condenado a seis anos de prisão em regime fechado pelo crime de estelionato e violência psicológica contra uma executiva comercial de 59 anos, na Zona Oeste de São Paulo. Ele está preso desde maio deste ano em um Centro de Detenção Provisória de Mauá, na Grande São Paulo, após ter a prisão decretada pela Justiça, e foi considerado culpado no último dia 19 de outubro. O golpista aplicou o golpe se passando por um homem bem-sucedido e cavalheiro que conheceu a vítima pelo aplicativo de relacionamento Tinder, em junho de 2021.
Na época, a vítima estava divorciada e sem companhia havia cinco anos. Ela contou que foi rapidamente seduzida pelo comportamento do acusado, que se apresentou como um professor universitário de psicologia e psicólogo comportamental, pai de três filhos que moravam fora do país. “Logo que a gente se conheceu, ele se mostrou um homem raro e cavalheiro, que parecia ter caído do céu. Abria a porta para eu entrar e sair do carro, me levava em casa, pagava os jantares… Logo no primeiro encontro, começou a fazer juras de amor, trocar elogios e dispensar muita atenção”, relatou a vítima ao g1.
Poucas semanas depois, Renato começou a contar que a mãe dele enfrentava um câncer e que o convênio médico se recusava a cobrir parte do tratamento. O primeiro empréstimo pedido foi de R$ 10 mil, que foi devolvido integralmente poucos dias depois. Em seguida, ele afirmou ter recebido uma indenização de R$ 1,3 milhão e pediu novos valores adiantados, sempre com a promessa de devolução iminente. Ele chegou a oferecer uma joia da avó como garantia — posteriormente descoberto que a peça custava apenas R$ 150.
Dias depois, ele disse que viajaria ao Canadá para o casamento de um filho, mas fez uma escala nos Estados Unidos e supostamente sofreu um infarto. Ele enviou mensagens dizendo que estava retido em um hospital particular com uma conta de mais de R$ 200 mil e pediu que a vítima fizesse um empréstimo bancário para ajudá-lo. Convencida de que ele era o “grande amor” de sua vida, a mulher contraiu um empréstimo de R$ 322 mil e transferiu o valor em 29 operações bancárias. Assim que recebeu o dinheiro, Renato desapareceu.
A vítima só percebeu que havia sido vítima de um golpe quando, em novembro de 2021, uma amiga reconheceu a foto dele em uma reportagem da TV Record sobre um homem que enganava mulheres para roubar dinheiro. A dívida bancária acumulou juros e hoje ultrapassa R$ 1,5 milhão. A vítima precisou vender o carro, enfrentou depressão e chegou a pensar em tirar a própria vida. Em vez de se calar, ela procurou a delegacia, reuniu outras vítimas e seguiu com o processo até a condenação.
Durante as investigações, descobriu-se que Renato era, na verdade, massagista, divorciado e pai de cinco filhos. Ele já havia sido preso e condenado por extorsão na década de 1990. A juíza Monica Tucunduva Spera Manfio o condenou a cinco anos por estelionato e um ano por violência psicológica, negando-lhe o direito de recorrer em liberdade. Ele também foi obrigado a devolver os R$ 322 mil roubados. No julgamento, ele admitiu ter mentido e pedido desculpas, mas negou ter iniciado o relacionamento com intenção de aplicar o golpe.
Hoje formada em Direito, a vítima atua como assistente de acusação e pede que outras mulheres também denunciem golpes desse tipo. “Não sei se vou reaver esse valor em algum momento, mas me sinto aliviada de saber que a Justiça foi feita. É uma vitória da união de tantas mulheres”, declarou.
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