Uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser), em parceria com o instituto Quaest, aponta que a maioria dos brasileiros prefere manter os templos e espaços de culto afastados das disputas político-eleitorais.
Segundo o levantamento, 80% dos entrevistados são contrários à discussão sobre política dentro de ambientes religiosos. A rejeição é ainda maior quando se trata da presença de postulantes a cargos públicos: 90% dos ouvidos desaprovam a ida de candidatos a igrejas com finalidade eleitoral.
Consenso entre diferentes fés
A resistência ao uso político dos templos foi registrada de forma transversal entre fiéis de diversas confissões, englobando católicos, evangélicos e praticantes de outras religiões.
O estudo ressalta, contudo, que a rejeição às campanhas nos cultos não significa um desejo de afastar a religião do debate público. A pesquisa buscou analisar como a fé influencia valores, decisões políticas, engajamento social e pertencimento comunitário na vida cotidiana dos cidadãos.
Influência de lideranças nas urnas
Apesar do rechaço à política partidária nos cultos, o levantamento identificou que líderes religiosos influenciaram parcelas do eleitorado nas eleições presidenciais de 2022.
Do total de entrevistados, 11% afirmaram ter recebido orientação de lideranças para votar em Jair Bolsonaro, enquanto 5% relataram indicação de voto em Luiz Inácio Lula da Silva. O direcionamento a favor de Bolsonaro teve maior relevância no segmento evangélico: atingiu 20% entre os protestantes tradicionais e 23% entre os pentecostais.
Os dados evidenciam que, embora a religião mantenha papel ativo na esfera pública e nas escolhas individuais, a transformação de locais de culto em palanques eleitorais enfrenta forte oposição da população.
Pesquisa indica que 80% dos brasileiros rejeitam debate político em espaços religiosos
